Centro
Cresci a atravessar o país. Não de propósito — era assim que se viajava em casa: por estradas secundárias, por vilas que não estavam em nenhum roteiro, com uma família que tinha aprendido, na luta contra o Estado Novo, que o país real ficava sempre um pouco fora do que se via de Lisboa.
Havia um idealismo nessa geração — o idealismo de Abril — que prometia que essa distância se ia fechar. Não fechou completamente, ou fechou mal. Temos redes, rodoviárias, de comunicação, digitais, sociais, que parecem aproximar tudo e abrir caminhos novos, mas o isolamento continua. Falando ainda de infraestruturas, a ferrovia é uma promessa adiada, as redes viárias regionais ou locais só agora merecem atenção, as redes sanitárias fora das cidades, ainda não. O planeamento continua a ditar uma paisagem de povoados e construção demasiado dispersos, de condições difíceis de acesso aos meios, de gestão territorial de florestas e áreas verdes deficitárias.
Ficha do projeto
- Autoria
- Miguel Rodrigues
- Território
- Médio Tejo, Beira Baixa, Região de Coimbra (36 concelhos)
- Método
- Fotografia documental + investigação artística
- Estado
- Em construção